Todos os encantos bons
"Eu nem sei o que é dar certo."

Caio Fernando Abreu.

(Source: dissipada, via dayloppes)

"Alguns problemões não passam de probleminhas quando olhados sob a perspectiva do vasto mar, incomensurável mar, que nós somos. E das ondas todas que já encaramos."

Ana Jácomo.

(Source: anajacomo)

"Aos poucos, os pensamentos amontoados na cabeça vão se acomodando, bem ou mal se encaixam uns nos outros, e é um consolo quando cessa o atrito dos pensamentos, e vai se fechando a cabeça, apertando-se nela mesma, a cabeça restando como que oca por fora. O sono chega como um barco pelas costas, e para partir é necessário estar desatento, pois se você olhar o barco, perde a viagem, cai em seco, tomba onde você já está."

Chico Buarque, Estorvo.

(Source: a-rosa-do-chico, via a-rosa-do-chico)

"Mas é realmente difícil essa coisa de ligar e dizer “olha, hoje eu não ando bem, me ajuda?”. Ah, eu não sei fazer isso direito até hoje! Em parte porque acho que me cobro demais em estar bem. Quer dizer, a peteca cai de vez em quando, mas o dia todo também não dá, entende? Uma reação contra a vida também é responsabilidade minha. Entretanto, se você diz que acha - apenas acha - que não está bem, eu logo trato de resolver a sua vida, não importa o que está acontecendo ou o peso da “peteca”. Eu só não sei pedir ajuda, mas eu ajudo. Não sei chamar, ocupar o tempo do outro, mas é inevitável: eu também necessito de ajuda. Os meus olhos dizem isso, não dizem? Eu quero aprender a ligar, a pedir, a chamar. Eu também preciso."

Camila Costa. 

(Source: camilacosta, via emendar-nos)

"Então, eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas."

As Vantagens de Ser Invisível.

(Source: versificar, via ignoreapenas)

"Acho que é isso que falta na vida da gente: mais palavras bonitas e menos cara feia. Mais olhares sinceros e menos grosseria. Mais sorrisos cúmplices e menos palavras duras. Mais educação e menos pressa. Mais respeito e menos julgamento. Mais humanidade e menos falta de respeito. Mais doação e menos egoísmo. Mais mãos dadas e menos individualidade."

Clarissa Corrêa.

(Source: cher-la-vie)

"Eu te diria que tenho a mim. Nos dias em que a solidão aperta e os assuntos acabam: eu só tenho a mim. Enquanto o mundo cai e os meus amigos vão embora, dizendo que não suportam: eu só tenho a mim. Quando tudo de repente foge, quando tudo quebra, quando tudo desmorona: eu só tenho a mim. Eu me tenho porque o amor ainda não veio e, talvez, eu não o quero. Talvez eu queira mesmo me isolar do mundo e ser. Ser eu, ser meu. Eu me tenho porque ninguém quer o irreal, o imensurável, as estrelas caídas nas mãos. Minhas mãos têm calos maiores que eu. Eu te diria que tenho a mim quando o inverno é na alma mas ninguém sabe, porque o entender fica exposto à concepção humana. É pleonasmo, mas ninguém aceita a minha humanidade. E como? Se todos somos humanos? Eu só tenho a mim quando as lágrimas caem instantaneamente mas não há ninguém para o consolo. E eu nem queria o consolo. Eu queria o olhar. O olhar de quem se comove, de quem se agiganta e te diz “fica bem”. Eu só tenho duas mãos e o sentimento do mundo, entende? Eu digo as interrogações mas ninguém as lê. Amar. Eu só queria essa coisa. Eu não sei bem aceitar essa solidão, mas eu respeito. Eu sou. E eu tenho de me acostumar. Ruim, não? Acomodar-se com algo ruim. Porque ser só não é motivo de aplausos, não é motivo para nada. E o nada é o que pesa: quando você tem o nada para amar, quando você tem a invisibilidade para amar, quando você tem qualquer coisa… quando você é qualquer coisa. Eu tenho a mim quando me esquecem, eu tenho a mim quando me decepcionam, eu tenho a mim quando os cortes são profundos, eu tenho a mim quando a corda está no meu pescoço e ninguém quer puxá-la. Eu tenho a mim quando eu sangro só, eu tenho a mim quando meu caminho é sombrio, eu tenho a mim quando tudo parece fugir, e eu fujo também. Eu tenho a mim, quando tudo isso está acabando comigo. Eu tenho a mim hoje."

Igor Pires. Eu tenho a mim hoje.

(Source: floresinexatas, via quedoceseja)

"Azar de quem não chorou ao som de uma canção de amor. Que não riu dos pássaros voando por aí. Que não se inebriou com o aroma e com as cores das flores. Azar de quem amou pouco e com esse pouco nada soube da vida."

Caio Augusto Leite.

(Source: ventodemaio, via no-tengas-miedo-a-volar)

"Na convivência, o tempo não importa. Se for um minuto, uma hora, uma vida. O que importa é o que ficou deste minuto, desta hora, desta vida. Lembra que o que importa é tudo que semeares, colherás. Por isso, marca a tua passagem. Deixa algo de ti, do teu minuto, da tua hora, do teu dia, da tua vida."

Mário Quintana.

(Source: a-morenaa, via chaode-giz)

"Já me perguntaram algumas vezes: o que eu faço? E eu digo: não faz nada. Não precisa se montar, decorar um texto, falar pausadamente na frente do espelho, ensaiar a cena, viajar em busca da palavra perfeita. A gente tem que ser a gente. Eu tenho que ser eu. Você tem que ser você. Por mais estranho, maluco, curioso e engraçado que isso seja."

Clarissa Corrêa.

(Source: tulipas-amarelas, via ignoreapenas)

"Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça. A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta. Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa. A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013. As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.
Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.
Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.
Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.
Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.
Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.
Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.
Morri sufocado de tanta morte; como acordar de novo?
O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista. A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados. Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro. Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos. Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal. As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso. Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu. As palavras perderam o sentido."

Fabrício Carpinejar.

(Source: m-a-r-r-e-n-t-o, via chocolatecomleite)

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